Música

Cobertura: WOMEX 2017, uma reflexão sobre as fronteiras da World Music

Por Luana Bistane, direto da Polônia*

Womex 2017

Entre os dias 25 e 29 de outubro, Katowice, na Polônia, recebeu a edição 2017 da WOMEX – the World Music Expo. Durante 5 dias, a cidade polonesa viu transitar mais de 2.500 profissionais representantes de 90 países - entre eles, o Brasil.

Entre os showcases apresentados, com artistas garimpados em diversas partes do mundo, o Brasil foi representado pela sonoridade afropunk da banda paulistana Metá Metá (confira, em breve, a entrevista realizada com a banda).

Leia mais: Eleven Culture fez um tour pela expo WOMEX 2013; assista ao vídeo

Foram 07 palcos, 700 empresas participantes, palestras, filmes, shows de abertura e premiação de encerramento, compondo o que é considerado a maior plataforma de networking para a indústria do World Music.

São 05 dias de imersão, onde a descoberta não se traduz apenas na música, caminhar 200 metros representa cruzar a fronteira de novos idiomas, cores e sabores que vão traduzindo cada uma das múltiplas formas de entendermos nossa humanidade.


A correspondente especial e empreendedora cultural brasileira, Luana Bistane, no stand da BME na Womex 2017

WOMEX 2017

Fosse apenas um lugar de celebração, trocas e experiências, preencheria todas as expectativas, mas o curioso é a sensação que de alguma forma, quando se traduz em impactos efetivos na indústria musical, ou melhor dizendo, no mainstream da música, essa diversidade não deixa de estar, em muitos termos, encerrada dentro dos limites que demarcam o território mundo da WOMEX.

Veja como foi a cerimônia de abertura da WOMEX 2017, na Polônia:

Embora a própria existência da feira seja uma grande e fundamental conquista, ela também parece simbolizar a luta por preservação e circulação da maioria das culturas do mundo, ali representadas na música. Artistas de toda parte, que cumprem sonhos e traduzem linguagens simbólicas tão ricas quanto inacessíveis ao grande público.

"O evento é, sem dúvidas, 
um encontro vibrante,
um espaço que emociona
por transbordar a riqueza da
diversidade cultural mundial"

Música do mundo

Passamos a entender um pouco melhor este cenário, nos transportando ao surgimento do termo World Music, criado na década de 60, por Robert E. Brown, e com projeção internacional no final dos anos 80, quando a utilização de elementos musicais desconhecidos das culturas anglo-saxônicas, trouxeram um desafio a indústria da música: estabelecer um rótulo que fosse suficientemente abrangente para enquadrar tudo que se referia as músicas tradicionais e elementos sonoros representativos de todos os outros povos.

Desta forma, conteúdos tão diversos quanto dispares foram colocados dentro da prateleira chamada World Music, uma prateleira que caracteriza toda forma de expressão considerada tão distante que sequer é enxergada e reconhecido pela sua distinção, singularidade.

"(...) é fundamental uma reflexão
sobre quais caminhos serão precisos
serem traçados para transpormos
as fronteiras da World Music"


Como sugere o colunista do The Guardian, Ian Birrell, este termo, passados mais de 30 anos, não está apenas datado, como acaba sendo ofensivo a riqueza que encontramos na diversidade da música produzida.

Isto porque ao enquadrar também estigmatiza, e não colabora para romper com as barreiras hegemônicas que ainda são impostas e que dificultam a efetiva circulação de conteúdos diversos, seja por uma questão idiomática, de difusão ou simplesmente porque seus elementos musicais são tão pouco conhecidos que geram estranhamento e consequentemente dispersão da audiência.

Saindo da catarse que é vivenciar a experiência WOMEX, é fundamental uma reflexão sobre quais caminhos serão preciso traçar para transpormos as fronteiras da World Music, e conquistarmos a fragmentação deste rótulo em identidades culturais representativas das singularidades e de todas as infinitas misturas possíveis no encontro entre povos.

 

Luana Bistane empreendedora culturalSobre a autora

Formada em Comunicação e Produção em Cultura pela UFBA e Mestre em Gestão em Economia Criativa pela URJC- Madrid, Luana Bistane fica sediada em Lisboa.

Com larga experiência em políticas públicas de cultura, foi diretora executiva da Orquestra Sinfônica da Bahia. Suas experiências profissionais incluem também a produção da turnê "Concerto de Cordas e Máquinas de Ritmo" do renomado cantor Gilberto Gil, a produção da Semana de Moda da Bahia, festivais de Teatro, Dança e Música, gestão de carreira artística, dentre outros. Atualmente é Diretora Criativa da LadoBe Creative Agency, e business developer da startup Brigde for Billions.

 

 

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Campeonato Mundial vai escolher o melhor DJ do Brasil, em Curitiba

A final nacional do Red Bull 3Style, um dos maiores campeonatos mundiais de DJs, ocorre na sexta-feira, dia 03 de novembro, no tradicional clube Paradis, em Curitiba. Durante a noite, seis DJs brasileiros finalistas vão mostrar o seu talento nas pick-ups em busca de uma vaga na final mundial, que ocorre no ano que vem, em Cracóvia, na Polônia.

O júri é composto por DJs legendários e veteranos campeões do Red Bull 3Style, como o japonês Shintaro (vencedor em 2013), o chileno Byte (coroado em 2015) e Nedu Lopes, que já foi tricampeão brasileiro. Os três jurados também selecionaram os disc-jóqueis que disputam o título de melhor DJ do país na capital do Paraná.

Na competição Brasil estão: o curitibano DJ Morenno, Marquinhos Espinosa (de Campo Grande-MS), Cinara (de São Paulo-SP), Guto Loreiro (de Corumbá-MT) e os DJs Tucho e Nino (RJ)


Em 2016, quem representou o Brasil na final mundial foi o DJ A, brasiliense que incendiou o Rio de Janeiro e levou o troféu nacional para casa. Já em 2014 e 2015, a paulistana Cinara Martins, que compete este ano novamente, foi a nossa representante brasuca em duas etapas mundiais do Red Bull 3Style.

DJ A, o vencedor da final Brasil de 2016: 



DJ Cinara, representante do Brasil em 2014 e 2015:

SERVIÇO:

Quando: 03 de Novembro, sexta-feira, das 22h às 5h
Onde: Paradis - R. Paula Gomes, 306, São Francisco, Curitiba - PR. Tel.: (41) 3156-3955
Ingressos: R$ 30 na porta (não haverá venda antecipada)
Capacidade: 290 pessoas
Classificação: Proibido para menores de 18 anos
Acesso a deficientes, área de fumantes.

Natiruts solta belo clipe gravado na Chapada dos Veadeiros; assista


Cena de gravação do clipe "Na Positiva" por Andre Dib

"Na Positiva" é o novo videoclipe da banda de reggae mais querida e popular do Brasil: Natiruts. O single recém-lançado integra o disco Índigo Cristal.

Leia mais: 

O vocalista Alexandre Carlo falou sobre o trabalho: "Este é um clipe que reflete o estilo de vida, ou mesmo o pensamento, de todas as pessoas que gostam de Natiruts".

Gravado na Chapada dos Veadeiros, as cenas emanam a felicidade presente nos momentos mais simples da vida, como uma partida de futebol, um mergulho na cachoeira ou um passeio de bicicleta. Todas elas possuem um alto teor de contato com a natureza.

Assista:


A tribo indígena Povos do Alto Xingu abriu as portas de sua aldeia para receber a equipe de filmagem, dirigida por Rafael Costa K. Além deles, outras etnias indígenas participaram do clipe: Kariri Xocó, Xavante, Krahô, Kayapó e Fulni-ô.

"Fomos abençoados com vários momentos que
ficarão registrados em nossa memória para sempre!. Luís Maurício (baixista)"


"Esses 4 minutos de vídeo são apenas uma amostra da energia que fluiu durante todo processo", completa o guitarrista Kiko Peres, que sempre que pode recarrega suas energias na Chapada dos Veadeiros, localizada a cerca de 250km de distância de Brasília, onde a banda reside.

"Este clipe é a síntese do que nós acreditamos: que tudo é energia e o segredo da felicidade está em se sintonizar na frequência positiva", conclui Luís Maurício.

Curte reggae? Escute o programa Novos Sons do Brasil especial reggae brasileiro!

Após espera de 11 anos, CMTN lança disco de inéditas; vem ouvir

Onze anos depois da sua estreia, a banda Canto dos Malditos na Terra do Nunca - figura constante nas primeiras posições de clipes na MTV dos anos 00 - retorna com um novo álbum de inéditas. 

Travessia possui dez faixas lançadas de forma independente em todas as plataformas digitais e em formato físico. O primeiro single é a canção "À Deriva", que saiu com um lyric vídeo - uma espécie de amostra da nova estética da banda liderada pela cantora e compositora Andrea Martins.

Se em 2006 a atitude jovem do quinteto era uma mistura de nu metal com amor, com o novo trabalho o grupo se vê maduro e contemporâneo, dialogando com elementos eletrônicos e brasileiros. "A CMTN ainda fala de amor, mas do ponto de vista de olhar para si e desenvolver seu próprio caminho", analisam.

"Nós precisávamos nos atualizar como artistas. Assim, fui buscar músicas que caberiam dentro desse disco. Procurei composições novas que vinham de outras influências e busquei também coisas de gaveta que poderiam ser para um eventual segundo disco da Canto, na época. Isso me ajudou a voltar aquelas memórias e desenhar essa nova história", revela Andrea, que assina todas as faixas do disco.

 

A relação com as águas aparece em várias canções e aparece também a arte gráfica do material, assinada por Rana Tosto. O movimento tem relação com a volta de Andrea para Salvador e seu reencontro com a cidade natal e a banda. Travessia é também uma referência ao mar, ao tempo que o grupo passou separado e a nova fase de vida do quinteto.

O álbum foi gravado no estúdio T, no Rio Vermelho, em Salvador, com André T, que assina a produção do registro ao lado de Tadeu Mascarenhas, responsável pela mixagem, masterização e alguns teclados do disco. As fotos são de Rana Tosto, responsável também pela direção de arte ao lado de Andrea Martins, diretora musical do registro junto de Leonardo Bittencourt.


Saiba mais:

Acadêmicos de Milton Friedman: o samba jazz descolado produzido em Massachusetts

O duo cabeludo Acadêmicos de Milton Friedman acaba de lançar seu novo trabalho: o EP Dare To Taste Liber Tea. O disco chega com o vídeo clipe 'Good Intentions', uma homenagem ao Professor Walter Williams e o seu documentário homônimo. O vídeo tem a participação do cantor americano, Chris Kazarian.

A dupla é formada pelos músicos brasileiros João Nogueira (piano e voz) e Jopa Velozo (guitarra e voz), ex-alunos da Berklee College of Music, na cidade de Jamaica Plain, Massachusetts, EUA. 

Até o fechamento dessa matéria, os Acadêmicos tinham mais de 18 mil seguidores na página oficial da banda no Facebook e o clipe de 'Good Intentions' já havia alcançado mais de 25 mil visualizações no Youtube. 

Assista ao clipe de 'Good Intentions'

Sobre a banda
Durante os tempos de estudantes no Berklee College, João e Jopa descobriram afinidades e se tornaram grandes amigos. “Fomos cozinhando pratos com muito coentro, ao som de samba, rock e debates sobre política”. E assim tiveram a ideia de fazer um samba diferente, com letras e temas totalmente inusitados.

No final de 2013, os dois organizaram feijoadas na cozinha da casa e gravaram vídeos com suas as novas composições. O sucesso na internet estimulou a dupla a seguir compondo e organizando eventos. Nesta mesma época, também passaram a ser conhecidos localmente como "Ambassadors", os Embaixadores de Jamaica Plain.

"O sucesso na internet
estimulou a dupla
a seguir compondo e
organizando eventos"


Em julho de 2015, filmaram dois videoclipes, sendo 'Privada Presidencial' (que faz uma sátira com os ex-presidentes Lula e Dilma e ainda do falecido revolucionário cubano, Fidel Castro), o primeiro a ser lançado, em outubro de 2015, alcançando mais de 70 mil visualizações em poucas semanas. Composição, letras, arranjos, storyboard, figurino, cenário e boa parte da direção do vídeo, foram feitas pelos próprios Acadêmicos e agradou aos internautas da onda "anti-PT" do Brasil.

Segundo os músicos, como resultado do esforço, os Acadêmicos foram convidados para se apresentarem no Teatro Renault, durante o 2o Fórum Liberdade e Democracia, que ocorreu no dia 19 de outubro, em São Paulo. O show apresentou “uma sonoridade diferente dos vídeos caseiros”. Para o evento, a dupla escreveu arranjos e levou ao palco um noneto, com 3 sopros, teclado, violão, guitarra, bandolim, baixo e bateria.

Em junho de 2016, foram headliners do 13th PorcFest, organizado pelo Free State Project, em New Hampshire.