Cultura e Arte

Mia Couto estreia como primeiro estrangeiro indicado ao Prêmio São Paulo de Literatura

Em 2016, foram inscritos ao todo 175 livros: 79 na categoria livro do ano, 52 para estreante com mais de 40 anos e e 44 para estreante com menos de 40 anos.

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O regulamento exige que as obras sejam do gênero romance de ficção, escritas originalmente em português e com primeira edição e comercialização mundial obrigatoriamente no Brasil entre 1º de janeiro de 2015 e 31 de dezembro de 2015.

A regra possibilitou que, pela primeira vez, um livro de autor estrangeiro ficasse entre os finalistas: "Mulheres de cinzas – As areias do imperador" (Companhia das Letras), do premiado moçambicano Mia Couto, cuja primeira edição circulou no país.

Um livro que tivesse sido originalmente escrito em língua portuguesa, mas publicado primeiro Portugal, por exemplo, não poderia concorrer.

A curadoria do Prêmio São Paulo de Literatura 2016 é formada por Fonseca Ferreira, Pierre André Ruprecht, Samuel de Vasconcelos Titan Junior, Sandra Regina Ferro Espilotro e Sueli Nemen Rocha.

Veja, a seguir, os finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura 2016:

Melhor Livro de Romance do Ano de 2015 (R$ 200 mil)

  • Beatriz Bracher – "Anatomia do paraíso" (Editora 34)
  • João Almino – "Enigmas da primavera" (Record)
  • Julián Fúks – "A resistência" (Companhia das Letras)
  • Marcelo Rubens Paiva – "Ainda estou aqui" (Alfaguara)
  • Mia Couto – "Mulheres de cinzas – As areias do imperador" (Companhia das Letras)
  • Nei Lopes – "Rio Negro, 50" (Record)
  • Noemi Jaffe – "Írisz: As orquídeas" (Companhia das Letras)
  • Paula Fábrio – "Um dia toparei comigo" (Editora Foz)
  • Raimundo Carrero – "O senhor agora vai mudar de corpo" (Record)
  • Santana Filho – "A casa das marionetes" (Editora Reformatório)


Melhor Livro do Ano de Romance – Autor Estreante com mais de 40 anos (R$ 100 mil)

  • Eda Nagayama – "Desgarrados" (Cosac Naify)
  • Marcelo Maluf – "A imensidão íntima dos carneiros" (Editora Reformatório)
  • Robertson Frizero – "Longe das aldeias" (Editora Dublinense)

Melhor Livro do Ano de Romance – Autor Estreante com menos de 40 anos (R$ 100 mil)

  • Alex Sens – "O frágil toque dos mutilados" (Autêntica)
  • Isabela Noronha – "Resta um" (Companhia das Letras)
  • Julia Dantas – "Ruína y leveza "(Não Editora)
  • Rafael Gallo – "Rebentar" (Record)
  • Sheyla Smanioto – "Desesterro" (Record)
  • Tércia Montenegro – "Turismo para cegos" (Companhia das Letras)
  • Tomas Rosenfeld – "Para não dizer que não falei de Flora" (7 Letras)

Artistas reagem à degola do MinC: confira íntegra do texto enviado à imprensa

Artistas integrantes do Procure Saber

Na cerimônia de posse do gabinete do presidente interino Michel Temer, nesta quinta, foi confirmada a junção das pastas da Educação e da Cultura. A decisão resulta no novo Ministério da Educação e Cultura, que será liderado pelo até então deputado Mendonça Filho (DEM-PE). Até o momento, Filho não se pronunciou sobre propostas e a reorganização dos segmentos e projetos culturais.

Com a extinção do MinC, profissionais do setor e a classe artística reagiram fortemente em protesto. Um grupo liderado pela Associação Procure Saber e pelo GAP – Grupo de Ação Parlamentar Pró-Música, do qual fazem parte Caetano Veloso, Roberto Carlos, Fernanda Abreu e Tim Rescala e outros notáveis, divulgou uma carta aberta a Temer, que passou a circular na mídia nas redes sociais.

Confira abaixo o texto na íntegra.

Exmo. Sr. Michel Temer

Prezado senhor,

Entre as grandes conquistas da identidade democrática Brasileira está a criação do Ministério da Cultura, em março de 1985, pelo então Presidente José Sarney.

É inegável que, nessa ocasião, o nome do Brasil já havia sido projetado internacionalmente através do talento de Portinari, de Oscar Niemeyer, de Anita Malfati, de Jorge Amado, da música de Ary Barroso, Dorival Caymmi, Carmen Miranda, Tom Jobim e Vinicius de Moraes, do cinema de Glauber Rocha e Cacá Diegues. Desta forma, a existência do Ministério da Cultura se deve ao merecido reconhecimento do extraordinário papel que as artes brasileiras desempenharam na divulgação de um país jovem, dinâmico, acolhedor e criativo.

A extinção desse Ministério em abril de 1990 foi um dos primeiros atos do governo Collor de Mello. Abrigada em uma Secretaria vinculada à Presidência da República, a cultura nacional assistiu ao sucateamento de ideias, projetos e realizações no campo das artes. Já no final de seu governo, tentando reconquistar o apoio político perdido, o Presidente Collor adotou outra postura, nomeando para a Secretaria de Cultura o intelectual e embaixador Sergio Paulo Rouanet, encarregado de restabelecer o diálogo com a classe artística. Nasceu assim o Pronac – Programa Nacional de Apoio à Cultura, que se tornou o elemento estruturante da política c ultural dos governos subsequentes, e a denominada Lei Rouanet. Felizmente o Presidente Itamar Franco, em novembro de 1992, devolveu aos criadores um Ministério que já havia comprovado o acerto de sua presença no cenário nacional.

A partir de 1999, durante o governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso, o Ministério da Cultura foi reorganizado e sua estrutura ampliada, para que pudesse servir a projetos importantes, em especial nas áreas de teatro e cinema. Desde então o MinC vem se ocupando, de forma proativa, das artes em geral, do folclore, do patrimônio histórico, arqueológico, artístico e cultural do País, através de uma rede de institutos como o IPHAN, a Cinemateca Brasileira, a Funarte, o IBRAM, Fundação Palmares entre muitos outros. A partir da gestão de Gilberto Gil, o MinC ampliou o alcance de sua atuação a partir da adoção do conceito antropológico de cultura. O Programa Cultura Viva e os Pontos de Cultura são iniciativas reconhecidas e copiadas em inúmeros países do mundo. O MinC passou a atuar também com a cultura popular e de grupos marginalizados, ampliando os horizontes de uma parcela expressiva de nossa população. Foi o MinC que conseguiu criar condições para que tenhamos hoje uma indústria do audiovisual dinâmica e superavitária. O mesmo está sendo feito agora com outros campos, como por exemplo o da música. O MinC conta hoje com vários colegiados setoriais que cobrem praticamente quase todas as áreas artísticas bem como grupos étnicos e minorias culturais do país. E com um Conselho Nacional de Políticas Culturais, formado pela sociedade civil e responsável pelo controle social da gestão do Ministério. Há ainda que se mencionar o Plano Nacional de Cultura e inúmeras outras iniciativas com amparo no texto constitucional e em leis aprovadas pelo Congresso Nacional, cuja inobservância ou descontinuidade poderão ensejar questionamentos na esfera judicial. O MinC também protagonizou várias iniciativas que se tornaram referência no ordenamento jurídico internacional, como as Convenções da Unesco sobre Diversidade Cultural e de Salvaguarda do Patrimônio Imaterial, dentre outros.

A Cultura de um País, além de sua identidade, é a sua alma. O Ministério da Cultura não é um balcão de negócios. As críticas irresponsáveis feitas à Lei Rouanet não levam em consideração que, com os mecanismos por ela criados, as artes regionais floresceram e conquistaram espaços a que antes não tinham acesso.

A Cultura é a criação do futuro e a preservação do passado. Sem a promoção e a proteção da nossa Cultura, através de um ministério que com ela se identifique e a ela se dedique, o Brasil fechará as cortinas de um grandioso palco aberto para o mundo. Se o MinC perde seu status e fica submetido a um ministério que tem outra centralidade, que, aliás, não é fácil de ser atendida, corre-se o risco de jogar fora toda uma expertise que se desenvolveu nele a respeito de, entre outras coisas, regulação de direito autoral, legislação sobre vários aspectos da internet (com o reconhecimento e o respeito de organismos internacionais especializados), proteção de patrimônio e apoio às manifestações populares.

É por tudo isso que o anunciado desaparecimento do Ministério da Cultura sob seu comando, já como Chefe da Nação, é considerado pela classe artística como um grande retrocesso. O Ministério da Cultura é o principal meio pelo qual se pode desenvolver uma situação de tolerância e de respeito às diferenças, algo fundamental para o momento que o país atravessa. A economia que supostamente se conseguiria extinguindo a estrutura do Ministério da Cultura, ou encolhendo-o a uma secretaria do MEC é pífia e não justifica o enorme prejuízo que causará para todos que são atendidos no país pelas políticas culturais do Ministério. Além disso, mediante políticas adequadas, a cultura brasileira está destinada a ser uma fonte permanente de desenvolvimento e de riquezas econômicas para o País.

Nós, que fazemos da nossa a alma desse País, desejamos que o Brasil saiba redimensionar sua imensa capacidade de gerar recursos para educação, saúde, segurança e para todos os projetos sociais e econômicos necessários ao crescimento da nação sem que se sacrifique um dos seus maiores patrimônios: a nossa Cultura.

Rede de cinemas do Mercosul tem primeiros filmes definidos; veja resultado





Foi divulgada pela Reunião Especializada de Autoridades Cinematográficas e Audiovisuais do Mercosul (Recam) a primeira seleção oficial da Rede de Salas Digitais do bloco, dentro do programa Integrando Olhares. 

Veja mais:


As exibições dos filmes selecionados em chamada pública – 14 longas, dos quais seis são brasileiros, e 10 curtas-metragens, sendo quatro brasileiros – começam no mês de março, nas 30 salas digitais da Rede.

Os escolhidos foram:

Longas:

  • À queima roupa, de Theresa Jessouroun/Brasil; 
  • A Vida Privada dos hipopótamos, de Maíra Bühler y Matias Mariani/Brasil;
  • Años de calle, de Alejandra Grinschpun/Argentina;
  • Damiana Kryygi, de Alejandro Fernández/Argentina; 
  • Democracia em preto e branco, de Pedro Asbeg/Brasil; 
  • El Colchón, de María Eugenia Verón/Argentina; 
  • Ela volta na quinta, de André Novais Oliveira/Brasil; 
  • Infancia clandestina, de Benjamin Ávila/Argentina; 
  • Narcisa, de Daniela Muttis/Argentina; 
  • O estopim, de Rodrigo Mac Niven/Brasil; 
  • Refugiados en su tierra, de Fernando Molina y Nicolás Bietti/Argentina; 
  • Ríos libres, de Gustavo Adolfo Carbonell - Elián Guerín/Argentina; 
  • Uma História de Amor e Fúria, de Luiz Bolognesi/Brasil; e 
  • Yo sé lo que envenena, de Federico Sosa/Argentina.

Veja o trailer do filme brasileiro 'À queima roupa':


Curtas:

  • A dama do Estácio, de Eduardo Ades/Brasil; 
  • Doce mil noches de jazz, de Cristina Marrón Mantiñán y Salvador Savarese/ Argentina; 
  • Foto documento, de Antonella Defranza/Argentina; 
  • Invisible, de Juan Manuel Echalecu/Argentina; 
  • La Duna, de Damián Sansone/Uruguay; 
  • Lila, de Sebastian Dietsch/Argentina; 
  • O Sepulcro do Gato Preto, de Federico Moreira/Brasil; 
  • Pasionarias, de Andrés Beltrán Nossa/Argentina; 
  • Tigre, de João Borges/Brasil; e 
  • Uma Família Ilustre, de Beth Formaggini/Brasil.


Veja o trailer do curta brasileiro 'A Dama do Estácio':

As obras, produzidas ou coproduzidas nos países membros do Mercosul, por meio de cessão gratuita, foram legendadas em espanhol ou português, de acordo com a necessidade. Foram aceitos filmes concluídos e ainda não estreados e também aqueles já exibidos comercialmente em salas de cinema, na televisão, internet ou em DVD.

Salas Digitais

As 10 salas brasileiras estão instaladas nas universidades federais da Bahia (UFBA), da Paraíba (UFPB), de Goiás (UFG), do Espírito Santo (UFES), do Rio Grande do Sul (UFRGS), de São Paulo (USP), de Ouro Preto (UFOP), de Pelotas (UFPel), de São Carlos (UFSCar) e na Fundação Joaquim Nabuco (FUNDAJ), em Pernambuco.

A Rede de Salas Digitais do Mercosul (RSD), criada no Programa Mercosul Audiovisual, viabilizado por meio de termo de cooperação com a União Europeia, é um circuito de difusão cultural integrado por 30 salas de cinema localizadas na Argentina (10), Brasil (10), Paraguai (5) e Uruguai (5). A proposta é fomentar a circulação de conteúdos próprios da região, valorizando o sentimento de pertencimento da comunidade mercosulenha.

A RSD já está em funcionamento em diversas cidades dos países do bloco, com servidores e projetores digitais, interconectados por meio de um sistema de transmissão digital.

Exposição em São Paulo apresenta fotos da guerra na Síria

Galeria Ziper/Divulgacao

A exposição fotográfica Filhos da Guerra: O Custo Humanitário de um Conflito Ignorado leva à capital paulista, a partir de amanhã (3), imagens em grande dimensão da guerra civil na Síria, feitas pelo fotógrafo brasileiro Gabriel Chaim. O conflito, que começou em 2011, já matou mais de 200 mil pessoas, segundo a organização Human Rights Watch (HRW), e deixou milhões de desalojados internos e refugiados não só em países vizinhos, mas também na Europa e no Brasil.

O curador Marcello Dantas disse que a mostra já estava sendo planejada, mas que os eventos de Paris jogaram luz sobre a questão da guerra na Síria, que é muito grave. “O mundo estava tratando isso de forma muito anestésica, até a hora em que veio bater à porta das pessoas, em um lugar tão simbólico como Paris, aí todo mundo acordou para esse fato”, afirmou. “Uma noite em Paris é igual a todas as noites em Aleppo [capital da Síria]”.

Segundo Dantas, Chaim “chega [à fotografia] de maneira completamente intuitiva, ele se joga dentro disso, vai pra lá e não sabe onde vai terminar, ele não sabe em que vai dar, mas está disposto. Isso é uma coragem muito rara”. Durante o evento de lançamento da exposição, na noite dessa terça-feira (1º), o fotógrafo estava em meio a uma ofensiva dos curdos em Raqqa, onde fica a sede do Estado Islâmico.

Desde 2013, a guerra é acompanhada de perto pelo fotógrafo e documentarista brasileiro Gabriel Chaim, que conseguiu cruzar a fronteira da Síria com a Turquia e entrar na cidade de Kobane, local de muita tensão por causa do conflito. “Ele está com os curdos, que estão tentando lutar pela reconquista da cidade, ele não tem como sair de lá. Enquanto estava em Aleppo, conseguia se movimentar. Em Raqqa, ele está no coração do Estado Islâmico. Os curdos estão tentando reconquistar Raqqa, é um evento histórico. Se isso acontecer, seria a primeira virada no jogo”, contou o curador, além de dizer que a situação de Chaim é de tensão.

“Ele [Chaim] é jurado de morte pelo [Bashar Al] Assad. Pelo Estado Islâmico nem se fala, seria decapitado no minuto em que chegasse e ele foi deportado da Turquia. Então, o único grupo com o qual pode conviver, que é o grupo mais moderado é a Frente de Libertação da Síria (FLS), comandada pelos curdos”, explicou Dantas. Chaim saiu de Aleppo, rumo a Raqqa, sem saber a que ponto a situação chegaria. De acordo com Dantas, como ele está dentro do território do Estado Islâmico, não há como voltar sozinho em segurança: “Agora, ele cruzou o ponto em que alguém sozinho poderia voltar”.

O curador afirma que as pessoas estão anestesiadas diante da guerra na Síria pela falta de imagens do local, em solo, e que o trabalho de Chaim é singular. “O que estamos tentando fazer é trazer essa imagem à tona e o aspecto humano. Isso é a história de verdade. Ele está contando a história sob um ponto de vista que ninguém está.

O vice-presidente da HRW, Iain Levine, veio de Nova York para a abertura da exposição em São Paulo. Uma das áreas de prioridade da organização, segundo ele, é aquela que monitora as violações cometidas em situações de guerra. “Para nós, é muitíssimo importante contar a história das populações afetadas pela guerra na Síria, porque ela já dura quatro anos e meio, já morreram mais de 200 mil pessoas, 11 milhões foram obrigadas a fugir das suas casas e mais de 4 milhões já fugiram da Síria para outros países em busca de abrigo e segurança”, disse.

“Essa colaboração com a Galeria Zipper e com o fotógrafo Gabriel Chaim, para nós, é importante porque as fotos que o Gabriel tirou na Síria são extraordinárias e contam histórias pessoais, humanizam a situação de guerra e ajudam as pessoas a entender a gravidade da situação e o impacto humanitário do conflito na Síria”, acrescentou Levine. Ele ressaltou que o objetivo da organização é documentar violações de direitos humanos e chamar a atenção para essas violações por meio da mídia, para que haja mudança, para que os governos reajam e para uma melhoria na vida das pessoas afetadas pelas violações de direitos humanos.

A exposição ficará aberta ao público até 16 de janeiro, na Galeria Zipper. A entrada é gratuita.


Via Agencia Brasil